Crowdfunding e os novos mecenas

Graças ao avanço e a simplificação da tecnologia, os custos de gravação de um disco tornaram-se cada vez mais acessíveis, uma vez que é possível gravar um disco inteiro com um equipamento simples dentro de casa. Diferentemente de 30, 40 anos atrás, quando gravar um disco exigia equipamentos exorbitantes e estúdios proporcionalmente caríssimos, a gravação de um álbum somente poderia ser custeada por uma grande empresa que, em retorno, obtivesse lucro com a renda das vendas desse CD. Tais empresas são as chamadas gravadoras. Nesse novo cenário, uma nova conformação dá um poder maior aos artistas independentes (que não têm contrato com gravadoras), uma vez que podem gravar, reproduzir e distribuir seus trabalhos, tudo de forma virtual e direto ao seu público. No entanto, um problema persiste: como bancar os custos de uma gravação que, apesar de não serem inacessíveis, ainda permanecem bem altos?

Foi nessa brecha que surgiu o crowdfunding, um modelo de financiamento baseado na colaboração, onde o artista pode buscar os recursos para a produção de um trabalho diretamente junto ao seu próprio público, seu novo mecenas[1]. Este, ansioso por ter acesso sempre a novas produções de seus artistas favoritos, colabora com diferentes quantias em troca de algumas recompensas de acordo com o valor. À medida em que as metas são atingidas, o dinheiro é liberado diretamente na conta do artista. Plataformas digitais como o Catarse e o Queremos! são as principais ferramentas do modelo aqui no Brasil e vários artistas da música católica já tiveram seus trabalhos custeados por sistemas como esses.

Apesar de a música católica ter diversos representantes no chamado mainstream da música brasileira (o assim chamado mercado de música nas principais rádios, TVs e gravadoras), principalmente ancorados pelos padres cantores, estes são apenas a ponta de um iceberg de uma imensa produção artística com diferentes estilos, propostas, estéticas e características regionais específicas e todo esse montante de manifestações surgiram de forma espontânea no coração da Igreja, por artistas que sentiram no coração a necessidade de se expressar e fazer evangelização com essa expressão.

Nada mais justo que esse custo seja compartilhado com a comunidade. Outras cenas culturais não religiosas tais como o hip hop, o indie, até mesmo o funk e o tecnobrega já encontraram maneiras criativas de se perpetuarem, ao menos dentro de seus nichos. Que poder a música católica poderá ter se deixarmos de lado discursos vitimistas “oh, vida, oh, céus, oh, azar” e colaborarmos uns com os outros para fazer acontecer uma manifestação cultural que nos represente e que exerça a missão católica de levar o evangelho até os confins do mundo.

[1] “indivíduo rico que protege artistas, homens de letras ou de ciências, proporcionando recursos financeiros, ou que patrocina, de modo geral, um campo do saber ou das artes” (Dicionário Houaiss)

 

P.S.¹ Seguem links para projetos que estão atualmente em voga no Catarse:

Eric Guimarães – Em Adoração

The Flanders – Quinto CD

Missionário Shalom – DVD Ao Vivo

 

P.S.² O Ministério Adoração e Vida também está com um projeto colaborativo no site deles para a gravação do DVD comemorativo dos 10 anos de ministério.

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