Música e rebeldia

Uma das coisas que podemos aprender com os grandes gênios da música é a sua grande capacidade de rejeitar padrões pré-estabelecidos. Quem se destaca na música, adquire esse status justamente por realizar algo novo, diferente de tudo o que já havia sido feito anteriormente, e que permanece na história através da influência que exercem nos artistas que viriam depois deles. Isso se dá na música erudita, com artistas como Bach, Mozart e Beethoven e na música popular, com Elvis Presley, Michael Jackson ou João Gilberto.

A verdade é que não se faz boa música sem uma grande dose de inconformismo. O artista que visa adequar-se a padrões, tentando apenas seguir tendências – muitas vezes muito mais mercadológicas que artísticas – para alcançar maior sucesso, podem até obter um êxito, mas que dificilmente perdurará por muito tempo.

Um equívoco muito comum, tanto para leigos quanto para músicos, é confundir arte com técnica. Dessa forma, aquele instrumentista virtuoso que executa peças musicais com perfeição é automaticamente tratado como um grande artista, ainda que o que ele faça seja uma mera execução que uma máquina bem programada poderia fazer igual ou melhor. Arte é mais do que isso. É expressar uma experiência, uma subjetividade, coisa que máquina nenhuma seria capaz de fazer. O músico que pouco toca, mas que dá aquela nota naquele momento exato da canção. É sublime.

Nesse sentido, o artista se compara ao atleta, que sempre quer ir além do que já foi. O artista é um eterno insatisfeito que busca expandir seus limites, buscar novas formas de expressar-se e, para tal, utiliza-se da técnica como ferramenta para atingir esse objetivo. Sem técnica, o músico fica refém das suas próprias limitações, como um pintor sem pincéis ou um arquiteto sem suas réguas. Quando o artista estaciona, o que faz deixa de ser arte e passa a ser técnica.

O músico cristão tem como motor da sua arte uma inspiração movida pelo Espírito Santo dentro de si e, para tal, precisa munir-se do máximo de ferramentas possível para realizar essa missão da maneira mais plena possível. Um músico que submete-se a fórmulas e modelos consagrados está, no fundo, enterrando o talento confiado a ele pelo seu senhor e deixando de multiplicá-lo.

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