Todo artista tem de ir aonde o povo está

Há quem pense que vida de artista é só glamour. Quem vê aquelas duas horas do artista em cima do palco sequer pode imaginar as inúmeras horas de trabalho dispensadas para que aquilo possa acontecer. Ensaios, gravações, reuniões, entrevistas… e viagens. Muitas viagens.

Um artista que faz vários shows por semana gasta dias na estrada. Deslocamentos de avião e/ou de transporte terrestre são sempre desgastantes e estressantes, com alimentação muitas vezes inadequada e repouso insuficiente. Isso sem contar na distância da família e amigos e a perda de momentos preciosos junto deles, comemorações e afins.

O artista parece ter mesmo essa vocação de padecer na própria carne dores para oferecer um pouco de alívio para quem irá escutá-lo. Por conseguinte, alguns artistas absorvem tamanha carga de sentimento e angústia que não conseguem suportar e sucumbem à depressão, ao vício e, muitas vezes, ao suicídio. A lista é extensa: Maysa, Elis Regina, Whitney Houston, Cássia Eller, Amy Winehouse, Kurt Cobain. Tornaram-se para-raios de suas gerações, sofreram na própria carne a angústia de seu tempo e fizeram disso combustível para sua arte. Não à toa, entraram para a história.

As horas de sono perdidas, as dores nas costas nos bancos desconfortáveis, as saudades da família são o preço pago para o artista fazer o que sabe: arte. E nosso povo precisa cada vez mais dessa arte para elaborarem suas próprias vidas, conhecerem suas próprias dores, sentirem-se reconfortadas, encorajadas, prontas para mais um dia de matar leão.

Cada música que traduz o que sentimos, que cala no fundo da alma como um bálsamo que alivia nossas dores é a fagulha que dá ignição ao motor do artista para ir adiante para a próxima cidade.

Luís Felipe Barbedo

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