Viver de música… católica!

Diante do crescimento vertiginoso da música católica nos últimos 20 anos, vários músicos e cantores optaram por dedicar-se inteiramente ao exercício do ministério, abdicando de outros trabalhos e mesmo abdicando de trabalhar com outros ramos dentro do próprio universo da música. Esse processo se deu mediante uma grande procura por seu trabalho, seja na forma das suas gravações ou de seus shows, de modo que num determinado momento precisaram optar entre seguir em seus trabalhos tradicionais ou abandonar tudo para continuar atuando somente com música católica e, daí, tirar seu sustento e de sua família. Muitos desses artistas são hoje verdadeiros empreendedores da música, empregando outros profissionais que também dependem desse trabalho para se sustentar.

Apesar de isso já ser uma realidade em nosso meio, existem ainda muitas críticas a essa cultura por parte de gente que defende que um músico católico deve atuar somente de modo voluntário e buscar seu sustento de outra forma. Muito desse pensamento vem coalhado de um milenar preconceito que restringe a atividade musical a um mero exercício de lazer (que o diga a fábula da cigarra e da formiga), como se ela não envolvesse uma formação pesada e muita dedicação a fim de ser executada da melhor forma. Se até hoje não tivéssemos pessoas que abriram mão de outros trabalhos para dedicarem-se somente aos seus ministérios, não teríamos metade da relevância que a música católica adquiriu nos últimos anos e até hoje teríamos somente pessoas de boa vontade cantando tocando seus violões de forma amadorística. Importantes? Claro! Mas insuficientes diante de um mundo cada vez mais rápido, conectado e exigente.

Na rebarba desse fenômeno, uma geração de jovens que cresceu tendo esses artistas como referência acabou por tomar esse modelo como projeto de vida e, hoje, muitos músicos católicos sonham em viver exclusivamente de música católica, sem que precisem se desdobrar em outras atividades. Essa mentalidade acarreta sérios problemas, pois faz com que esses jovens ministros acabem por queimar etapas que devem ser percorridas para a construção de uma maturidade, artística, espiritual e humana. Os artistas que hoje vivem de música católica, o fazem por conta de uma consequência natural do desenvolvimento dos seus ministérios que os levou nessa direção. Não existe um roteiro automático de “crescimento” de um ministério que leve o artista a viver exclusivamente de música católica, como uma espécie de “plano de carreira”. Isso deve acontecer naturalmente, pois envolve inúmeros fatores que envolvem, em primeiro lugar, os planos de Deus e, posteriormente, qualificação técnica, interesse do público, trânsito entre os meios de comunicação, viabilidade comercial etc etc etc.

Precisamos ter em mente que cada músico tem seu chamado e um músico que está na televisão não é melhor ou mais importante do que aquele músico que canta e toca seu violão nas comunidades carentes. Somos um corpo e, como tal, cada membro tem sua importância. O que se faz urgente é entendermos que o artista que faz shows em todo o país o faz em função de uma vocação e que precisamos muito mais de artistas amadores que levem seus violões para os grotões do país.

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