Você é o que você come

 

Não é difícil entender que o nosso corpo é formado pelas moléculas dos alimentos que compõem a nossa dieta diária. Conta-se ainda que a cada 7 ou 10 anos o nosso corpo já renovou suas células completamente. Por isso, precisamos cuidar muito bem da nossa alimentação, pois precisamos de uma boa matéria-prima para podermos desfrutar de uma vida saudável (ouviu, Felipe?). Se abastecemos nosso carro num posto de gasolina que possui um combustível de baixa qualidade ou adulterado, imediatamente percebemos uma queda no desempenho do veículo e prometemos a nós mesmos nunca mais colocar nosso pneus naquele lugar. Por que não temos o mesmo cuidado quando tratamos de abastecer nosso organismo com o alimento que é necessário para que possamos subsistir com saúde?

Da mesma forma que nosso corpo precisa se alimentar de uma comida nutritiva e saborosa, o ouvido do músico também precisa se alimentar de música… hum… nutritiva. Existem músicas que são gostosas de ouvir, têm um bom ritmo ou uma melodia que gruda na cabeça, mas que, musicalmente, não acrescentam em nada ao que já temos de bagagem musical. Costumo comparar essas músicas-chiclete com as guloseimas-nossas-de-cada-dia que são boas de curtir de vez em quando, mas que não alimentam nada.

Vivemos um período de transição na indústria cultural onde as grandes gravadoras não têm mais condições de apostar em novos artistas de qualidade, mas que podem não apresentar uma vendagem que ao menos banque todos os seus custos. Sendo assim, elas acabam por torrar seus investimentos em bilhetes premiados, ou seja, dão prioridade – ou mesmo exclusividade – a artistas hiperpopulares que terão vendagem certa. E as músicas desses artistas são – oh – imagina como? Isso mesmo. Chicletes.

Um bom músico, que tem um mínimo de compromisso com a arte que Deus lhe confiou, precisa se alimentar de boa música. Dedicar-se a ouvir ativamente (com atenção e análise) músicas com melodias bem trabalhadas, harmonias bem arranjadas e letras ricas em conteúdo. Um chiclete de vez em quando é gostoso, mas precisamos saber o que realmente alimenta a nossa musicalidade. Ir além da música que é feita para vender e dar um pouco mais de crédito àquela música que à primeira ouvida soa “esquisita” mas que provoca e aguça nossa sensibilidade musical e não apenas excita nossos sentidos e emoções.

Como músicos católicos precisamos ir além do Faustão, das FMs populares e mesmo da música católica tradicional e buscar expandir nossos limites musicais. E isso se dará tão somente se deixarmos de comer todo dia bife com batata frita.

 

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